1. O que é uma dieta enteral?

É uma dieta especificamente elaborada para pacientes que durante o curso ou recuperação de uma doença, estão impossibilitados de receber alimentação via oral e portanto a recebem via sonda.

2. Quais são os tipos de sonda?
- Nasoenteral: sonda introduzida por uma das narinas e posicionada no estômago ou intestino
- Gastrostomia: sonda posicionada no estômago
- jejunostomia: sonda posicionada no jejuno

3. Tipos de dietas:
- Caseira: dieta preparada a base de alimentos na sua forma original (in natura) que deverá ser liquidificada, coada e ser administrada apenas em pacientes que possuem gastrostomia. Caso seja administrada via sonda nasoenteral, necessitará de maior diluição para passar no tudo fino e haverá perda de nutrientes. Deverá ser preparada seguindo uma série de recomendações, a fim de evitar contaminação.

- Industrializada: é uma dieta pronta, completa de nutrientes e balanceada, onde há menores chances de contaminação. Pode ser encontrada na forma:

  • Pó: necessitando de reconstituição ou diluição com água;
  • Líquidas em sistema Aberto: prontas para uso, devenso ser envasada em um saco plástico (descartável);
  • Líquidas em sistema fechado: prontas para uso, sendo necessário somente conectar o equipo diretamente no frasco da dieta.

É importante que as embalagens sejam mantidas em local fresco e seco.

4. Equipamentos, materiais e utensílios necessários:

  • sonda: tubo fino (sonda gástrica ou entérica) ou mais calibroso ( sonda de gastrostomia ou jejunostomia) e flexível, de material tipo poliuretano ou silicone que permite ao alimento chegar ao estômago ou intestino;
  • Frasco Plástico: (para dietas de sistema aberto). Recipiente de plástico, graduado, com capacidade para 300 ou 500 ml, para acondicionamento da dieta enteral;
  • Equipo: tubo de PVC que permite o transporte da dieta do frasco à sonda do paciente;
  • Seringa de 50 ml: para higienização da sonda;
  • Esparadrapo hipoalergênico: para fixação da sonda;
  • bomba de infusão: (se solicitado pela equipe que atenderá ao paciente);
    Equipamento que controla o volume de dieta enteral a ser infundido no paciente;
  • água filtrada e/ou fervida: em temperatura ambiente.

5. Tipos de administração:

As dietas enterais podem ser administradas de forma INTERMITENTE ou CONTÍNUA, de acordo coma a tolerância digestiva do paciente e dos meios que encontram-se disponíveis no domicílio. A forma intermitente é mais parecida coma alimentação habitual. Consiste em administrar cerca de 250 ml de dieta enteral de 5 à 8 vezes ao dia. O volume de cada etapa deverá ser proposto em função do volume total no dia e da tolerância digestiva do paciente.

A administração intermitente pode ser realizada de 2 maneiras:

  • Bolus:
    Administração da dieta enteral com auxílio de uma seringa de 50 ml. Método que deve ser utilizado com muito rigor para evitar transtornos digestivos devido a uma administração rápida demais.
    Procedimento: aspirar a dieta com a seringa; conectar a seringa na sonda. Lentamente empurrar o êmbolo da seringa, para que aos poucos a dieta seja infundida. Não ultrapassar 20 ml por minuto.
    Após administração de cada dieta, aspirar 20 ml de água com a seringa e injetar na sonda para lavá-la.
  • Gravitacional:
    Administração da dieta por gotejamento, suspenso em suporte. Permite uma utilização mais lenta que o bolus e muitas vezes é melhor tolerada.
    Procedimento: conectar o equipo ao frasco plástico descartável ou diretamente no frasco da dieta (se for o sistema fechado). A pinça do equipo deve estar fechada. Suspender o frasco pelo menos 60 cm acima da cabeça do paciente. Abrir a pinça para permitir que o Líquido escorra até outro extremo do equipo, fechar a pinça, conectar o extremo do euipo na sonda e regular a velocidade de administração com o equipo.
  • A administração contínua:
    Consiste numa administração por gotejamento contínuo com bomba de infusão. A dieta pode ser administrada em períodos de 12 a 24 hs em função da necessidade do paciente.
    Procedimento: Conectar o equipo da bomba coma pinça fechada ao frasco da dieta enteral. Suspender o frasco pelo menos 60 cm acima da cabeça do paciente. Abrir a pinça para permitir que a dieta corra até o outro extremo do equipo. Fechar a pinça. Colocar o equipo na bomba de infusão e seguir as instruções coretas de cada bomba. Conectar o equipo á sonda e regular a velocidade de administração da dieta enteral. Abrir a pinça do equipo e iniciar a infusão.

Após fornecer a dieta enteral ao paciente, é preciso administrar 50 ml de água filtrada ou fervida e previamente resfriada em temperatura ambiente com seringa de 20 ml diretamente na sonda. O jato de água serve para limpar a sonda.

6. Como administrar uma dieta?

A higiene é fundamental para o preparo da dieta enteral. Lave sempre as mãos com água e sabão antes de manusear qualquer utensílio. Depois seque-as bem com papel toaha descartável. O local do preparo da dieta deverá ser limpo com álcool 70 %.

  • Para dietas em pó:
    Separe os utensílios necessários ( funil, liquidificador, colher , copo graduado). Higienize todo o material com álcool 70% antes de usá-lo e espere secar. Preparar apenas a quantidade de dieta em pó prescrita pelo seu nutricionista e a quantidade de água filtrada e/ou fervida recomendada em temperatura ambiente. Verificar a data de validade do produto.
  • No caso de ditas líquidas, prontas para uso:
    - sistema aberto: necessitam de envase para o frasco descartável. Verificar a data de validade do produto, higienizar a embalagem da dieta com água, sabão e álcool 70 % e agitar o produto antes do envase:
    - embalagens de sistema fechado , dieta que não necessita envase, verifique a data de validade e agite o produto antes de usá-lo.

NUNCA UTILIZE PRODUTOS COM DATA DE VALIDADE VENCIDA!

7. Qual a melhor posição do paciente para administrar a dieta ?

  • Se o paciente estiver acamado:
    Eleve a cabeceira da cama de 30 a 45 graus, durante a administração; mantenha o paciente nesta posição de 20 a 30 minutos após a infusão da dieta, se a administração for intermitente ou em bolus (com seringa); se a administração for contínua, mantenha a cabeceira da cama elevada durante todo o tempo de 30 a 45 graus.

  • Se o paciente não estiver acamado:
    Mantenha o paciente sentado durante toda a administração da dieta.

8. Como armazenar e conservar as dietas?

As dietas devem ser armazenadas fechadas em local seco, em temperatura ambiente e longe do calor. Mantenha fora do alcance das crianças. Uma vez envasadas no frasco plástico e prontas para uso, devem ser imediatamente utilizadas. Caso contrário, devem ir para a geladeira por um prazo máximo de até 24h após sair da embalagem original. Depois desse prazo a dieta líquida deve ser desprezada.

9. Alguns cuidados com o paciente:

O paciente com alimentação enteral por sonda deve ter os seguintes cuidados de higiene pessoal:

  • Rosto: é importante manter o rosto do paciente limpo para que a oleosidade da pele não descole a fita que prende a sonda na posição coreta. Esta higiene deve ser feita com sabão, água, gaze e algodão
  • Narinas as narinas também devem ser limpas com frequência com auxílio de um cotonete.
  • Boca: os dentes e a língua devem ser escovados 3 vezes ao dia. Se necessário, pode-se utilizar uma espátula envolvida com gaze ou algodão na ponta, embebida em solução antiséptica.

10. Chame seu médico, nutricionista ou enfermeiro, caso:

  • as náuseas, diarréia e dor abdominal não cessarem em 24h;
  • o paciente tenha febre acima de 38°;
  • ocorra o rompimento ou saída da sonda da alimentação;
  • haja inchaço excessivo da face ou das pernas;
  • ocorra arroxeamento ou ferimento na região onde a sonda está instalada;
  • ocorra prisão de ventre por mais de 5 dias;
  • haja suspeita de bronco-aspiração